Um quase diário de viagem

Para quem trabalha com criação, uma das coisas mais importantes para a concepção de uma nova ideia é ter um repertório vasto, não somente de conhecimentos e referências estéticas, mas de vivências. É esse acervo que vai permitir fazer diferentes associações, o famoso insight.

Este foi um dos motivos pelo qual nós, do departamento de criação, passamos 11 dias viajando; foram 3 diferentes países, 3 idiomas, 3 culturas e incontáveis experiências.

A experiência criativa começou bem antes do embarque. Enquanto planejávamos o roteiro de pesquisa mercadológica e turismo, nós viajamos nas fotos que poderíamos fazer e nos lugares que teríamos oportunidade de ver de perto. Por causa de um desses lugares, apareceu o “e se” que deu origem a coleção cápsula Pigalle. Já sabíamos onde seriam as fotos e até algumas poses, então desenvolvemos as estampas das leggings, com as cores e formas que completariam o cenário e também as outras peças que iriam compor os looks. Colocamos na mala e fomos.

O primeiro destino foi Milão, que já nos deixou apaixonadas com a gastronomia, a elegância das pessoas, com as vielas que pareciam um cenário de filme e a grandiosidade do Duomo, a catedral milanesa com arquitetura gótica. Visitamos a galeria Vittorio Emanuele, que reúne grandes nomes da alta costura e do mercado de luxo. Vimos uma exposição sobre o oriente no museu da cultura (Mudec) e fomos surpreendidas por uma exposição organizada pela Chanel.

*Uma dica preciosa de viagem é se programar deixando tempo livre e manter a mente aberta para alterações no roteiro e surpresas que a cidade separa. Sempre vai ter alguma programação legal e gratuita nas redondezas ou um lugar especial no meio do seu caminho.*

A segunda parada foi Londres, monumentalmente histórica, ao mesmo tempo que extremamente jovem e plural. No Museu Victoria and Albert tivemos a oportunidade de ver em detalhes a trajetória da estilista britânica Mary Quant. Na Oxford street, caminhamos entre pessoas de diferentes lugares, variados estilos, mas sempre uma essência urbana que parece ser inevitável naquele lugar. Na arquitetura, um contraste entre eras, uma viagem entre os tempos; construções bélicas e prédios futurísticos coexistindo num mesmo plano.

Sublime, assim foi o último destino, Paris. A luz da cidade e a Torre Eiffel, que são clichês, mas não deixam de ser clichês encantadores. Foi lá que nossa coleção encontrou com o lugar idealizado e foi emocionante ver essa fusão. Também teve perrengue chique, aparentemente Paris é a campeã dos perrengues: teve tombo na chuva; intoxicação alimentar; quase golpe na torre e ainda fomos paradas pela polícia. Ah, obrigada Danilo que foi nosso primo-amigo-guia na cidade, deu risada, mas nos ajudou muito.

E depois? Não tem como voltar da mesma forma, voltamos energizadas, com muita vontade de transformar e aplicar todas as referências que garimpamos.

Isabela Honório

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